Skip links

Tem golpista no bloco: neste Carnaval, conheça os golpes mais comuns e proteja-se

A energia contagiante do Carnaval traz alegria! O que exige que as pessoas redobrem o cuidado para não se deixar levar pela brincadeira e acabar sendo vítima de golpes financeiros e cibernéticos que se intensificam nessa época. E não é paranoia, os números confirmam o risco.

A Serasa Experian estimou 182.154 tentativas de golpe durante o período do Carnaval, o que equivale a uma tentativa a cada 24 segundos. O dado foi projetado com base no comportamento de 2024, quando março registrou mais de 1 milhão de tentativas de fraude, o primeiro mês do ano a ultrapassar essa marca.

O cenário geral também preocupa: segundo o Relatório de Identidade e Fraude 2025 da Serasa, 51% dos brasileiros foram vítimas de alguma fraude no último ano. Desses, mais da metade (54,2%) teve perdas financeiras — e quase 20% perderam entre R$ 1.000 e R$ 5.000.

E tem mais: as fraudes envolvendo deepfakes (vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial) cresceram 126% no Brasil em 2025, segundo relatório da Sumsub. O país concentra quase 40% de todos os deepfakes detectados na América Latina.

A Associação Brasileira de Bancos (ABBC), por meio da campanha “Tem Cara de Golpe”, reforça que o Carnaval é um ambiente propício para ação de criminosos, entre aglomerações, distrações e o alto volume de transações. A seguir, listamos os principais golpes e como se proteger.

Os golpes mais comuns no Carnaval

Sites falsos de ingressos e camarotes

Com a alta procura por festas, blocos e camarotes, criminosos criam sites que imitam vendedores oficiais com perfeição. O objetivo é duplo: roubar o dinheiro do ingresso falso e capturar dados do cartão de crédito da vítima.

Como se proteger:

  • Compre apenas em canais oficiais e verifique a URL antes de inserir qualquer dado
  • Procure pelo cadeado de segurança (HTTPS) e desconfie de preços muito abaixo do mercado
  • Pesquise a reputação do vendedor em sites como Reclame Aqui

Deepfakes e clonagem de voz com inteligência artificial

Este é um dos golpes que mais cresceu em 2025. Criminosos usam IA para criar vídeos e áudios extremamente realistas, simulando a voz e a imagem de conhecidos, executivos ou até celebridades. Já há relatos de pessoas que perderam dinheiro após videochamadas com “familiares”, que, na verdade, eram deepfakes.

As aplicações são diversas: pedidos de dinheiro urgente com voz clonada de filhos ou cônjuges, falsos “gerentes de banco” orientando transferências, e até golpes em reuniões corporativas.

Como se proteger:

  • Desconfie de pedidos de dinheiro urgentes, mesmo que pareçam vir de pessoas conhecidas
  • Combine uma “palavra-chave de segurança” com familiares para confirmar identidades em situações de emergência
  • Antes de transferir qualquer valor, ligue de volta para o número que você já conhece (não o que apareceu na ligação)

Golpe do Pix: QR Code falso e “Pix por engano”

O Pix, pela sua instantaneidade, é um dos alvos preferidos dos golpistas. Duas modalidades se destacam:

QR Code adulterado: Vendedores falsos apresentam um código que direciona o pagamento para contas fraudulentas. O valor exibido pode ser diferente do combinado.

Pix por engano: O golpista faz uma transferência para sua conta e, em seguida, entra em contato dizendo que foi um erro. Pede que você “devolva” o valor, mas para uma chave diferente da original. Quando você transfere, ele aciona o mecanismo antifraude do Banco Central (MED) alegando que foi vítima, e você acaba perdendo dinheiro duas vezes.

Como se proteger:

  • Sempre confira o valor e o nome do destinatário antes de confirmar qualquer Pix
  • Se receber um “Pix por engano”, devolva apenas pela função de estorno do próprio aplicativo bancário, para a mesma conta de origem
  • Reduza os limites de transferência do Pix no seu app, especialmente durante o Carnaval

Wi-Fi falso

Em meio à multidão, a necessidade de conexão é alta e criminosos se aproveitam disso. Eles criam redes Wi-Fi com nomes que parecem legítimos (como “Wi-Fi Bloco Oficial” ou “Internet Grátis Carnaval”) para interceptar dados de quem se conecta.

Uma vez na rede falsa, o golpista pode capturar senhas, dados bancários e informações pessoais.

Como se proteger:

  • Evite redes Wi-Fi públicas, especialmente para acessar bancos ou fazer compras
  • Use sua conexão de dados móveis (4G/5G) ou aguarde um ambiente seguro
  • Se precisar usar Wi-Fi público, utilize uma VPN para criptografar sua conexão

Maquininhas adulteradas (golpe do “chupa-cabra”)

Golpistas utilizam maquininhas de cartão adulteradas para clonar dados bancários ou cobrar valores muito acima do combinado. Uma variação comum: o visor da máquina está “quebrado” ou apagado, impedindo que você veja o valor real da cobrança.

Como se proteger:

  • Nunca aceite pagar em máquinas com visor apagado ou quebrado
  • Confira sempre o valor na tela antes de digitar a senha
  • Prefira pagamentos por aproximação via celular (carteira digital), que exigem autenticação biométrica e são mais seguros

Golpe da troca de cartão

Um clássico que ainda faz vítimas. O vendedor pega seu cartão para passar na máquina, observa você digitando a senha, e devolve um cartão parecido, mas que não é o seu. Com seu cartão e sua senha em mãos, o golpista faz compras ou saques.

Como se proteger:

  • Nunca entregue seu cartão a terceiros; insira você mesmo na máquina
  • Ao receber o cartão de volta, confira imediatamente se é o seu (verifique nome e últimos dígitos)
  • Desative a função de pagamento por aproximação do cartão físico para evitar débitos em aglomerações

Engenharia social

Engenharia social é a arte de manipular pessoas para obter informações confidenciais. No Carnaval, golpistas podem se passar por seguranças, organizadores de eventos ou até “novos amigos” para extrair dados pessoais, senhas ou convencê-lo a realizar ações prejudiciais.

Como se proteger:

  • Desconfie de abordagens de estranhos pedindo informações pessoais ou financeiras
  • Não compartilhe senhas, códigos de verificação ou dados bancários com ninguém
  • Lembre-se: bancos e empresas legítimas nunca pedem senha por telefone ou presencialmente

Checklist de segurança para o Carnaval

A ABBC e especialistas em segurança recomendam estas medidas antes de cair na folia:

No celular:

  • Ative autenticação em dois fatores em todos os aplicativos bancários
  • Configure biometria ou senha para acessar apps sensíveis
  • Ative o recurso de localização e bloqueio remoto do dispositivo
  • Anote o número IMEI do aparelho (disponível em Configurações > Sobre o telefone) para bloqueio em caso de roubo
  • Em iPhones, ative o Controle Assistivo; em Androids, ative a Proteção contra Roubo
  • Considere ocultar aplicativos bancários ou usar pastas protegidas

Nos pagamentos:

  • Reduza os limites de Pix e transferências no aplicativo do banco
  • Se seu banco oferece, ative recursos como o “Modo Rua” (ele permite definir um valor máximo de transação quando você estiver fora de uma rede Wi-Fi segura, como a da sua casa). Assim, mesmo que alguém acesse seu app na rua, não consegue fazer transferências acima do limite configurado
  • Prefira pagamentos por aproximação via celular (mais seguros que cartão físico)
  • Desative o pagamento por aproximação do cartão físico
  • Use cartões virtuais temporários para compras

Se for vítima de golpe ou roubo:

  1. Comunique imediatamente o banco para bloquear cartões e transações
  2. Registre um Boletim de Ocorrência (online ou presencialmente)
  3. Avise a operadora de telefonia para bloquear o chip
  4. Use outro dispositivo para apagar os dados do celular remotamente

Aproveite a folia com consciência

O Carnaval é uma das festas mais esperadas do ano, e ninguém quer ter a experiência arruinada por um golpe. Com atenção redobrada e as medidas certas de proteção, é possível curtir a folia sem preocupações financeiras.

Lembre-se: se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é golpe. E na dúvida, não clique, não transfira, não compartilhe.


Fontes: Serasa Experian (Relatório de Identidade e Fraude 2025 e Indicador de Tentativas de Fraude), Associação Brasileira de Bancos – ABBC (Campanha Tem Cara de Golpe), Sumsub (Identity Fraud Report 2025-2026), Agência Brasil.

This website uses cookies to improve your web experience.