O Brasil destinou, em 2025, R$ 227,9 bilhões para modernizar sua infraestrutura crítica — o equivalente a 2,21% do PIB. São redes 5G expandindo para 1.504 cidades, 170 mil veículos eletrificados nas ruas, malha ferroviária recebendo R$ 100 bilhões, e sistemas de abastecimento adotando digital twins para simulações em tempo real.
O risco de um ataque cibernético bem-sucedido contra infraestrutura crítica brasileira também cresceu. Hoje é de 69,9%, segundo a Pesquisa Setorial em Cibersegurança 2024.
No relatório “O cenário da infraestrutura crítica no Brasil: desafios de cibersegurança e recomendações para o setor”, abordamos esse cenário de construção de uma infraestrutura digital do futuro sobre fundações vulneráveis.
O relatório completo você pode obter aqui: O cenário da infraestrutura crítica no Brasil – Relatório Redbelt Security

Cada avanço tecnológico expande a superfície de ataque e nem sempre os controles defensivos acompanham na mesma velocidade. Abaixo, alguns exemplos:
- Energia: R$ 1,61 trilhão em receita (2024), com smart grids conectando geração e consumo via IoT/IA. Demanda deve crescer 3,3% ao ano até 2035.
Ameaça: 38% das perdas globais por ataques a infraestrutura crítica concentram-se neste setor. A Eletrobras sofreu ransomware em 2020 — só depois a ANEEL criou regulamentação. - Telecomunicações: 243,7 milhões de acessos em banda larga, com 5G em expansão e 6G previsto para 2030-2040.
Ameaça: 49% de risco de ataque, 33% sem orçamento para cibersegurança, e 41,67% sem plano de resposta a incidentes. - Transportes: 170 mil veículos eletrificados em 2024 (+89%), R$ 100 bilhões no Plano Nacional de Ferrovias, automação de pedágios via Free Flow.
Ameaça: 25.620 ataques ao transporte de cargas (2023), preocupação com ransomware em portos saltou de 56% para 79%. - Águas: Telemetria obrigatória expandindo, IA detectando vazamentos, digital twins simulando cenários críticos.
Ameaça: apenas 7 de 32 países na América Latina têm plano de proteção para o setor. Digitalização avança mais rápido que proteção de sistemas SCADA.
As ameaças que rondam o setor
Ransomware direcionado
Em julho de 2024, a Usina Alta Mogiana (SP), produtora de açúcar, etanol e energia elétrica, sofreu ataque do grupo Akira que comprometeu 123 GB de dados e paralisou sistemas de balanças, câmeras, cartões de ponto e ferramentas industriais.
Phishing hiperpersonalizado
O grupo Water Makara usou spear-phishing contra empresas brasileiras em 2024 para entregar o malware Astaroth, projetado para roubo de credenciais. 309 milhões de tentativas de phishing foram bloqueadas no Brasil (588 ataques por minuto, 24 horas por dia).
Ataques DDoS
Em setembro de 2024, o portal GOV.br e sites do Palácio do Planalto, Ministério da Justiça, Relações Exteriores e Meio Ambiente ficaram indisponíveis. Em setores críticos, um DDoS pode comprometer continuidade de serviços essenciais por saturação de servidores.
Comprometimento da cadeia de suprimentos
Em julho de 2025, criminosos invadiram a C&M Software, prestadora que conecta instituições financeiras ao SPB do Banco Central, usando credencial vendida por colaborador interno. Desviaram R$ 800 milhões de contas reservas de múltiplas instituições. O ataque não explorou falha do PIX, mas vulnerabilidade de fornecedor com acesso privilegiado.
Continuidade operacional agora é lei
A nova Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber), instituída em agosto de 2025, estabelece governança centralizada com mecanismos claros de regulação, fiscalização e coordenação entre órgãos públicos e privados. Alguns dos objetivos diretos da iniciativa são estimular medidas de proteção cibernética e gestão de riscos para prevenir, evitar, mitigar e neutralizar ataques e seus impactos.
Para setores que sustentam a economia e a vida cotidiana de milhões de pessoas, maturidade defensiva inadequada não resulta apenas em multas ou prejuízo financeiro. Resulta em apagões, interrupção de abastecimento, colapso logístico e contaminação de recursos hídricos.
Caminhos para uma infraestrutura crítica mais resiliente
A transição para uma infraestrutura crítica resiliente exige mudança estrutural na forma como a cibersegurança é pensada, implementada e mantida.
No relatório “O cenário da infraestrutura crítica no Brasil”, apresentamos um checklist operacional desenvolvido especificamente para CISOs e líderes de TI/OT que operam setores essenciais, cobrindo cinco pilares fundamentais:
- Governança, Risco e Compliance (GRC): estruturação de programa integrado com políticas específicas para OT e TI
- SOC OT/IoT: monitoramento orientado a risco sem impactar processos produtivos
- Segurança ofensiva: validação de controles sob a ótica do atacante
- Tabletop Exercises: treinamento de decisão sob pressão em cenários realistas
- Gestão de Identidade e Acesso: implementação do princípio de menor privilégio
Além dessas recomendações práticas detalhadas, o relatório traz mapeamento completo por setor, análise das principais ameaças com cadeias de ataque documentadas, casos reais de incidentes no Brasil e contexto regulatório atualizado.
Este material traz uma análise construída especificamente para líderes que operam setores essenciais no Brasil: gestores que lidam com ameaças direcionadas a essas infraestruturas e precisam tomar decisões de investimento em segurança com base em dados reais.