Imagine uma manhã de sexta-feira em que um colaborador recebe um e-mail com um link suspeito. Sem desconfiar, clica no link e é levado ao download de um arquivo. O PowerShell, então, é executado. Uma comunicação com servidor externo é estabelecida e uma sessão administrativa é aberta na máquina. Em 46 minutos, toda a rede corporativa é comprometida por um ransomware.
Esse é um cenário fictício, mas que estudos já trazem sobre a média de tempo em que um phishing poderia levar a um incidente crítico. Em 2024, atacantes passavam do acesso inicial à movimentação lateral em uma média de 48 minutos. Já em 2025, esse número caiu 29%, passando para uma média de 34 minutos, segundo o relatório anual de ameaças cibernéticas da ReliaQuest.
Responder a um incidente cibernético como esse exige que o time de segurança entenda como utilizar os principais frameworks do mercado (como NIST, SANS, MITTRE ATT&CK e outros), em cada etapa da resposta.
Resposta a incidentes na prática: o que fazer quando o alarme dispara?
No RedTalks que realizamos sobre o assunto, percorremos as etapas de uma resposta a incidente cibernético (da detecção à contenção, erradicação e pós-incidente), mostrando como cada framework apoia uma etapa diferente na prática. Assista à apresentação completa:
Quando um alerta vira um incidente cibernético?
Nem todo alerta é um incidente. No exemplo usado neste artigo (também tratado no RedTalks), três evidências confirmaram o andamento do ataque: a confirmação de execução maliciosa via PowerShell, a identificação de comunicação com um servidor externo de comando e controle (C2) e a descoberta de uma sessão de Domain Admin ativa na máquina comprometida.
Esse último elemento foi determinante. Uma sessão administrativa aberta em um dispositivo de suporte ampliou o impacto potencial do ataque e elevou a criticidade do incidente.
A partir disso, o incidente foi formalizado e a resposta precisou ser estruturada. É nesse momento que os frameworks entram, cada um com um papel diferente e complementar.
Os papeis de cada framework na resposta a incidentes
- NIST: estrutura a resposta no nível organizacional, definindo processos, papéis e governança;
- SANS: operacionaliza a resposta no dia a dia do SOC, com foco técnico na execução;
- Cyber Kill Chain: identifica em qual fase do ataque o adversário está, o que permite interrompê-lo antes da próxima etapa;
- MITRE ATT&CK: mapeia táticas (o que o atacante quer) e técnicas (como ele executa), com IDs que auxiliam detecção e contenção;
- Diamond Model: correlaciona adversário, infraestrutura, capacidade e vítima, se outros ativos ou usuários foram afetados pelo mesmo ataque.
Pós incidente: lições aprendidas e revisão de processos
Conter o ataque e restabelecer os ativos não encerra o trabalho. O pós incidente é a etapa em que o time transforma o que aconteceu em melhoria concreta. Nesse tipo de caso, é preciso corrigir a causa raiz, revisar privilégios, atualizar playbooks e atualizar as regras de detecção no SIEM.
Além disso, métricas como tempo de detecção, tempo de contenção, número de ativos impactados e recorrência do mesmo vetor de ataque permitem avaliar se a resposta está evoluindo. O que não é medido dificilmente melhora.
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