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Seguradoras, seu cliente pode estar sendo atacado com a identidade da sua empresa

Uma seguradora pode manter seus sistemas disponíveis, seus controles funcionando e seus dados protegidos enquanto, do lado de fora, alguém registra um domínio parecido com o seu, reproduz sua identidade visual e começa a abordar seus clientes.

Para quem recebe a mensagem, a distinção entre infraestrutura legítima e falsa importa pouco nos primeiros segundos. O nome é conhecido, o logotipo está correto, a linguagem parece familiar e a comunicação chega no contexto de uma relação que já existe.

É justamente essa confiança acumulada que torna a identidade digital de uma empresa um ativo interessante para o crime.

No setor de seguros, há características que tornam essa superfície relevante. A relação com o cliente envolve pagamentos, documentos pessoais, dados financeiros, comunicação por diferentes canais e uma rede que pode incluir seguradoras, corretores e prestadores. Uma página falsa não precisa reproduzir toda essa cadeia. Precisa parecer legítima o suficiente no momento certo.

A preocupação já aparece no próprio ambiente regulatório brasileiro. Em fevereiro de 2025, a Susep passou a divulgar, em sua consulta de empresas licenciadas, o endereço oficial informado por cada seguradora. A justificativa foi explícita: permitir que consumidores verifiquem se o site em que pretendem contratar um seguro realmente pertence à companhia autorizada e reduzir a exposição a golpes digitais.

A superfície de ataque continua depois do domínio corporativo

Grande parte da arquitetura de segurança foi construída para observar aquilo que pertence à organização: endpoints, identidades, aplicações, redes, nuvem e dados.

A representação digital da empresa circula em um espaço muito maior.

Um domínio visualmente semelhante pode ser registrado por terceiros. Uma página pode copiar elementos do site oficial. Um perfil em rede social pode assumir o nome de uma empresa. Uma campanha de phishing pode reproduzir uma comunicação legítima. O ataque acontece em infraestrutura que a seguradora não administra, utilizando elementos que o cliente associa a ela.

Dados recentes mostram a escala dessa estratégia. No segundo trimestre de 2026, a Check Point encontrou Microsoft, LinkedIn, Google, Apple e Amazon concentrando mais da metade das tentativas de brand phishing identificadas pela empresa. Tecnologia liderou entre os setores mais explorados, seguida por redes sociais e banking. As campanhas observadas incluíam páginas falsas de login, comunicações fraudulentas de pagamento e réplicas de propriedades digitais legítimas.

O dado não mede especificamente seguradoras. Ele mostra algo mais amplo e útil para a análise: marcas reconhecidas funcionam como infraestrutura de confiança para campanhas criminosas.

Quanto mais convincente a imitação, menor a quantidade de engenharia social necessária para estabelecer credibilidade.

O incidente pode atingir o cliente antes de atingir a empresa

Esse tipo de ataque cria uma situação peculiar para a segurança corporativa.

O primeiro sinal pode surgir fora dos controles tradicionais da organização. Um cliente reclama de uma cobrança que a seguradora nunca enviou. Um domínio semelhante aparece em uma campanha. Uma página começa a capturar informações. Credenciais associadas à companhia são anunciadas em ambientes clandestinos. Um perfil falso passa a abordar consumidores.

Quando o SOC recebe o primeiro alerta interno, parte da campanha pode já ter acontecido.

A capacidade de enxergar essa exposição depende de observar ativos que a própria empresa não criou.

Domínios recém-registrados semelhantes à marca, certificados digitais, páginas de phishing, aplicativos falsos, perfis fraudulentos, vazamentos de credenciais e menções em fóruns clandestinos produzem sinais diferentes. Isoladamente, muitos parecem pequenos. Correlacionados, podem revelar a preparação ou a execução de uma campanha.

É aí que Threat Intelligence ganha uma função concreta.

Monitorar a própria infraestrutura já não mostra toda a exposição

Para uma seguradora, acompanhar ameaças externas envolve conhecer primeiro a própria presença legítima: domínios, marcas, executivos, aplicações, parceiros relevantes e ativos expostos.

A partir desse mapa, torna-se possível procurar desvios.

Um domínio registrado ontem com pequenas alterações no nome da empresa tem um significado. Esse mesmo domínio hospedando uma página que reproduz a identidade visual da seguradora tem outro. Se a infraestrutura aparece associada a uma campanha de phishing ou a credenciais expostas, o contexto muda novamente.

A inteligência está justamente nessa capacidade de conectar sinais e determinar quais merecem investigação e resposta.

Isso também reduz uma dificuldade comum da proteção de marca digital: a internet produz uma quantidade enorme de ruído. Nem todo domínio parecido é malicioso, nem toda menção representa ameaça e nem toda credencial exposta produzirá um incidente. Monitoramento sem análise apenas transfere volume para a equipe de segurança.

A confiança também precisa entrar no mapa de exposição

Empresas investem durante anos para tornar suas marcas reconhecíveis. No mercado de seguros, reconhecimento tem uma camada adicional porque acompanha uma relação baseada em confiança: o cliente entrega dados, documentos e dinheiro esperando estar falando com uma instituição legítima.

O criminoso pode explorar essa relação sem atravessar primeiro os controles internos da seguradora.

Por isso, visibilidade sobre ameaças externas complementa a proteção construída dentro do ambiente corporativo. Threat Intelligence permite acompanhar sinais na superfície, deep e dark web, identificar infraestrutura suspeita, credenciais expostas e movimentos associados à marca antes que cada descoberta chegue isoladamente por um cliente, parceiro ou equipe interna.

A Redbelt Security trabalha essa camada de inteligência acompanhando diferentes níveis da internet e correlacionando sinais externos com o contexto de cada organização. Para seguradoras, essa visibilidade ajuda a incluir no mapa de exposição algo que os controles internos, sozinhos, não conseguem mostrar: as ameaças que usam a identidade da empresa sem precisar estar dentro dela.